Tese de Doutorado — Defesa 2026

Como gerenciar de forma segura redes 5G/6G para otimizar o atendimento a requisitos de aplicações em sistemas inteligentes de transporte?

Uma pesquisa sobre gerenciamento inteligente de redes 5G/6G para sistemas de transporte — combinando fatiamento de rede, aprendizado de máquina, inteligência de borda e segurança para que a infraestrutura atenda a cada aplicação veicular conforme sua criticidade.

PPGI / UNIRIO Tiago do Vale Saraiva Orientador: Prof. Dr. Carlos A. V. Campos
↓ Role para descobrir

Uma rede, milhares de necessidades diferentes

Carros autônomos, ambulâncias conectadas, streaming no banco de trás — todos compartilham a mesma rede. Mas um alerta de colisão não pode "esperar na fila" atrás de um vídeo do YouTube.

🚨

Segurança veicular

Frenagem cooperativa, alerta de colisão — precisam de latência menor que 5ms e confiabilidade de 99,999%. Um atraso de meio segundo pode custar vidas.

🗺️

Eficiência de tráfego

Navegação em tempo real, platooning de caminhões, semáforos inteligentes — precisam de dados contínuos e atualizados, mas toleram mais latência.

🎬

Entretenimento

Streaming 4K, videoconferência no veículo — precisam de muita banda, mas um buffer de 2 segundos não é crítico.

💡 Pense numa rodovia com faixas inteligentes

Imagina uma rodovia onde as faixas se reconfiguram automaticamente conforme o trânsito. Em horário de pico, a faixa de emergência se expande. À noite, mais espaço vai para carga pesada. Fatiamento de rede (network slicing) é exatamente isso — mas na infraestrutura digital.

🚑

Fatia Safety

Latência ultra-baixa, prioridade máxima

🚗

Fatia Eficiência

Dados contínuos, prioridade alta

📱

Fatia Genérica

Alta banda, tolerante a atrasos

Sete contribuições, uma narrativa

A tese constrói progressivamente um ecossistema que vai dos fundamentos de simulação veicular até a segurança de inteligência artificial distribuída em infraestrutura crítica de transporte.

🔐 Onde se encontram redes, IA e segurança

A pesquisa percorre três eixos que se entrelaçam ao longo da tese. O primeiro é a infraestrutura de comunicações móveis B5G/6G, com fatiamento de rede e inteligência de borda para atender aos requisitos heterogêneos de aplicações em sistemas inteligentes de transporte (ITS). O segundo é a inteligência artificial — classificação supervisionada, aprendizado federado e otimização de hiperparâmetros — que permeia quase todas as contribuições como ferramenta para tornar o gerenciamento das fatias adaptativo e proativo. O terceiro é a segurança: a introdução de IA distribuída na infraestrutura cria novas superfícies de ataque, exigindo modelagem de ameaças, avaliação de ataques adversariais e defesas Bizantino-robustas. Sistemas que operam em infraestrutura crítica não podem ser apenas inteligentes — precisam ser resilientes.

C1

Fundamentos: simulação realística de redes veiculares

O ponto de partida foi entender como simular redes veiculares de forma fiel à realidade — com modelos de propagação de sinal, mobilidade de veículos e interferência. Publicado como capítulo de livro pela Springer, esse trabalho contribuiu para a compreensão dos fundamentos de simulação em redes veiculares.

Capítulo de livro — Springer, 2019
C2

Detectar congestionamentos com dados públicos

Usando dados de GPS dos ônibus do Rio de Janeiro (31 milhões de registros), selecionamos duas regiões com alto volume de tráfego — Lagoa Rodrigo de Freitas e Av. Ayrton Senna — e cruzamos os dados com registros de congestionamento publicados pela Prefeitura no X (antigo Twitter). Treinamos 6 classificadores de ML para detectar congestionamentos sem sensores dedicados.

Acurácia > 80% com 6 classificadores
C3

A rede como sensor implícito

Descobrimos que mudanças no trânsito alteram o perfil de comunicação nos servidores de borda. Em vez de sensores caros, a própria rede de comunicação móvel pode funcionar como sensor implícito do contexto veicular — usando dados de telemetria já disponíveis na infraestrutura.

RF e DT com acurácia > 85%
C4

Um framework que prioriza o que importa

Construímos um framework baseado em SDN (Software-Defined Networking — redes de comunicação definidas por software), uma tecnologia que permite programar e reconfigurar a rede de forma centralizada e dinâmica. O framework organiza a rede em fatias dedicadas para cada tipo de aplicação (segurança, eficiência, entretenimento). Quando o trânsito muda, os algoritmos de controle redistribuem recursos automaticamente. Cenário com 158 veículos em emulação realística.

PDR de 85% vs. 50% da referência (+35 p.p.)
C5

AIMS: classificar impacto antes que o problema aconteça

Criamos o AIMS (Adaptive and Intelligent Management of Slicing — Gerenciamento Adaptativo e Inteligente de Fatias) — um sistema que analisa telemetria da rede em tempo real e classifica o impacto sobre as fatias ativas em 4 níveis: Adequado, Alerta, Severo e Crítico. Em vez de esperar a rede falhar, o AIMS antecipa a degradação e fornece sinais para que reconfigurações proativas possam ser acionadas antes que o problema afete o usuário. A validação experimental concentrou-se na função de classificação de impacto das políticas de fatiamento da rede.

CatBoost: 94,8% de acurácia (F1-Macro 0,948)
C6

Aprendizado distribuído: cada ponto de acesso aprende localmente

Centralizar dados de todas as RSUs (Road-Side Units — unidades de borda instaladas ao longo das vias, que conectam veículos à rede) é caro e compromete privacidade. Com aprendizado federado, cada RSU treina com seus próprios dados e compartilha apenas o que aprendeu — não os dados brutos. Testamos com 3 RSUs ao longo de um corredor urbano, em cenários com dados heterogêneos entre os pontos.

Degradação < 0,5 p.p. vs. centralizado
C7

Segurança da informação: proteger a inteligência distribuída

A distribuição do treinamento cria uma nova superfície de ataque: um nó comprometido pode executar envenenamento de modelo (model poisoning) combinando label-flipping direcionado com amplificação de gradientes. Na prática, o atacante manipula o classificador para que situações críticas sejam classificadas como normais — suprimindo todas as ações de resposta para aplicações safety-critical.

Diagnosticamos a vulnerabilidade em 144 configurações experimentais (3 arquiteturas neurais × 6 estratégias de agregação × múltiplos fatores de ataque) e avaliamos defesas de agregação Bizantino-robusta (Krum e Trimmed Mean). O resultado: sem defesa, a taxa de misclassificação atinge 100%; com Krum, cai a zero — demonstrando que a segurança da camada de agregação é requisito para implantação segura de IA distribuída em infraestrutura crítica.

Sem defesa: 100% de engano | Com Krum: 0%

Resultados por contribuição

4
artigos publicados em veículos IEEE e Springer
158
veículos simulados no cenário de emulação (Caps. 4–8)
85,1%
PDR do framework de fatiamento SDN vs. 50,1% da referência (Cap. 5)
94,8%
acurácia na classificação de impacto de fatias — CatBoost, AIMS (Cap. 6)
144
configurações experimentais no diagnóstico de segurança (Cap. 8)
0%
taxa de engano com defesa Krum ativa contra envenenamento (Cap. 8)

Produção científica

4 artigos publicados, 2 submetidos e 1 em preparação — em veículos IEEE e Springer. Os botões em cada publicação direcionam para o artigo original. Perfil completo no ORCID e Google Scholar.

T-ITS

An Application-Driven Framework for Intelligent Transportation Systems Using 5G Network Slicing

IEEE Transactions on Intelligent Transportation Systems, vol. 22, no. 8, 2021 — Saraiva, Campos, Fontes, Rothenberg, Sorour & Valaee

IWCMC

An Approach Using Machine Learning and Public Data to Detect Traffic Jams

IEEE International Wireless Communications and Mobile Computing Conference (IWCMC), 2021 — Saraiva & Campos

VTC

Machine Learning Applied to Network Traffic for Vehicular Applications to Predict the Vehicle Context

IEEE 94th Vehicular Technology Conference (VTC2021-Fall), 2021 — Saraiva, Girardi & Campos

Livro

Realistic Vehicular Networks Simulations with Propagation Models and Mobility Traces

Springer — Smart and Digital Cities: From Computational Intelligence to Applied Social Sciences, 2019 — Saraiva & Campos

AIMS: Adaptive and Intelligent Management of Slicing

IEEE International Symposium on Computers and Communications (ISCC), 2026 — Saraiva & Campos

Federated Learning-Based Scalable Impact Classification for ITS Network Slicing

IEEE Vehicular Technology Conference (VTC2026-Spring), 2026 — Saraiva & Campos

Em revisão

Poisoning Attacks and Byzantine-Robust Defenses in Federated Impact Classification for ITS Network Slicing

Manuscrito em revisão para submissão, 2026 — Saraiva & Campos — Avaliação de segurança de IA distribuída em 144 configurações experimentais

Código aberto e reprodutibilidade

Todos os experimentos são reprodutíveis. Código disponível no GitHub e CodeOcean.

framework_its_sdn

Framework SDN com fatiamento 5G para aplicações ITS (Cap. 5)

AIMS

Classificação de impacto centralizada, federada e diagnóstico de segurança — RF, CatBoost, DNN, LSTM, GRU + Krum, TM (Caps. 6–8)

Dúvidas comuns

O que é "fatiamento de rede"? +

É a capacidade de dividir uma única rede física em múltiplas redes virtuais isoladas, cada uma otimizada para um tipo de uso. Pense em faixas exclusivas numa rodovia: uma para ambulâncias (latência ultra-baixa), outra para caminhões (dados contínuos), outra para carros de passeio (uso geral). Cada "fatia" tem seus próprios recursos garantidos, sem interferir nas outras.

Isso funciona em redes 5G reais? +

Os experimentos foram conduzidos em ambiente de emulação realístico (Mininet-WiFi + SUMO), que reproduz fielmente o comportamento de redes sem fio e mobilidade veicular. Os algoritmos operam na camada de controle (SDN), que é independente da tecnologia de acesso via rádio. A validação em testbeds 5G reais é o próximo passo natural.

O que é "aprendizado federado"? +

É uma forma de treinar modelos de inteligência artificial sem centralizar dados. Cada ponto de acesso na via (RSU — Road-Side Unit) treina com seus próprios dados e compartilha apenas o que aprendeu (parâmetros do modelo), não os dados em si. É como vários hospitais que colaboram numa pesquisa médica compartilhando conclusões, mas nunca os prontuários dos pacientes.

Por que se preocupar com segurança? +

Quando distribuímos o treinamento entre múltiplos pontos, criamos uma nova superfície de ataque: um ponto comprometido pode "envenenar" o modelo global, fazendo o sistema classificar situações críticas como normais. No contexto veicular, isso significa que o sistema poderia deixar de reagir quando uma fatia de segurança está falhando — com consequências potencialmente fatais. A pesquisa demonstrou que defesas como Krum reduzem essa taxa de engano a zero.

Onde e quando foi realizada a pesquisa? +

O doutorado foi realizado no Programa de Pós-Graduação em Informática (PPGI) da UNIRIO, sob orientação do Prof. Dr. Carlos Alberto Vieira Campos. A defesa ocorreu em março de 2026, com aprovação pela banca composta por pesquisadores da UNIRIO, UNICAMP e UFRJ.

Posso reproduzir os experimentos? +

Sim. Todo o código está disponível no GitHub e CodeOcean. Os datasets são abertos. Os experimentos usam seeds determinísticos para reprodutibilidade. O ambiente computacional está documentado nas tabelas da tese.

Como funcionam os ataques e defesas em IA distribuída? +

Ao distribuir o treinamento via aprendizado federado, criamos uma superfície de ataque que vai além das ameaças tradicionais de rede. O ataque investigado na tese é o envenenamento de modelo (model poisoning): um participante malicioso troca os rótulos dos seus dados (fazendo "crítico" virar "normal") e amplifica os pesos enviados ao servidor para dominar a agregação. O resultado é que o sistema para de detectar situações de risco — em infraestrutura de transporte, isso poderia impedir a rede de reagir quando um veículo autônomo precisa dela.

As defesas avaliadas são estratégias de agregação Bizantino-robusta (Krum e Trimmed Mean), que filtram atualizações maliciosas antes da agregação — funcionando como um firewall para modelos de IA. A tese quantifica o risco operacional em 144 configurações e demonstra que, com Krum, a taxa de engano cai a zero. A lógica é a mesma de um pentest: diagnosticar a vulnerabilidade, medir o impacto e validar a defesa.

Tiago Saraiva

Tiago do Vale Saraiva

Doutor em Informática pelo PPGI/UNIRIO e consultor em Segurança da Informação. A pesquisa de doutorado aborda o gerenciamento inteligente do ciclo de vida de fatias de rede em cenários de comunicações móveis B5G para sistemas inteligentes de transporte — um problema que demandou contribuições em múltiplas frentes: identificação de contexto veicular, orquestração de recursos com redes definidas por software, classificação de impacto com aprendizado de máquina, escalabilidade com aprendizado federado na borda, e segurança contra ataques adversariais em IA distribuída.

Redes 5G/B5G Network Slicing Machine Learning Federated Learning Edge Intelligence ITS / IoV Segurança em IA Segurança da Informação